Coloquei aquele poema na janela para tomar um ar
Enquanto eu me fantasiava para algum lugar
Era tarde
Era frio
O dedão da mão esquerda pintado de vermelho
Como um experimento
A pulseira verde na mãe direita
Como a espera da suspeita
Sai e esqueci o poema
Ele sumiu
Julguei ser o vento o ladrão
Em meio da discussão
Perguntaram-me porque afinal eu teria colocado o poema para tomar um ar?
Respondi que queria tirar-lhe o perfume
Pra ver se da próxima vez
Eu puderá ler algo diferente
daquelas palavras carente
Antes que me respondesse, eu fechei os ouvidos.
Para não lembrar da minha irresponsabilidade
Que já fora marcada por mancha de caju
Mas agora ele não tem mais cheiro
Nem palavras
Foi encontrado afogado no lago que tenho em casa
Sou uma assassina de poemas.
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contas a pagar.