Andava à noite como quem nada perdeu, mas procura. Passava por uma rua abandonada olhando para cima, tentando ver a lua em meio ao emaranhado de galhos de árvores. Mesmo bem iluminada, a lua não conseguia clarear minha visão, sem poder identificar o semblante que me acompanhava. Pelo jeito de andar, julgo que se tratava de uma amiga de infância. Mas eu nunca estive lá.
Não sei dizer exatamente o rumo da nossa caminhada. Achava que havia me tornado uma atíria. Voava devagar para não tropeçar com minhas asas enferrujadas, enquanto seguia a lua.
Foi quando começou um tormento de informações. Ora eu estava em um sobrado de um senhor com bermudas, barriga de chopp e cabelos brancos. Ora eu estava numa festa em minha casa, onde estranhos eram os convidados. Mas foi num ponto alto de uma ribanceira que interessa, onde avistei mais claramente a gigante bola fluorescente. Parecia muito maior, nunca havia visto a lua tão perto e pensei em Monalisa Ebe.
Nesse momento de distração demorei a perceber que o satélite estava descendo rapidamente o céu e surpreendentemente, vi a lua do tamanho de uma bola de basquete cair em minhas mãos. Permanecia leve, como se não houvesse gravidade e suas crateras eram nítidas. Uma circunferência perfeita e iluminada.
Antes que qualquer um percebesse (o tormento de informações me levou novamente à festa) a lua derreteu, se tornando uma massa pegajosa e cinzenta. Queria mostrar para alguém, e se tratando de anomalias no espaço, encontrei com o Luiz. Resolvemos juntos que deveriamos provar um pouco da massa, e assim, colocamos lentamente pequenos pedaços da pasta na boca. (A titulo de curiosidade dos leitores, a lua possui sabor de cimento com torrone montevergine).
Depois de apreciar o sabor de um satélite, senti receio de ter me contaminado com alguma bactéria espacial. Mas onde eu estava não havia preocupações que durassem mais do que um momento.
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