tranquera véia

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Texto empoeirado no rascunho

Eu tinha 16 anos, prestes a fazer 17. Nem era tão prestes assim, pois ainda era abril e meu aniversário só seria em julho, mas gosto de dizer "prestes a fazer 17" porque acho que 16 anos foi um bocado jovem para ter a primeira relação. Ele era mais velho, tinha uns 24 anos, e o conheci em um showzinho do forgotten boys na minha cidade. Aquela velha tática de encostar próximo a menininha mais nova e soar um "olá".
Algo em mim explodia naquela época, o que me fez dar bola para ele, que me beijou sem grandes esforços.

 Depois disso, aconteceram diversas situações, encontros, desencontros, manipulação de encontros ocasionais, olá você por aqui, que coincidência, mas não existe coincidência não é mesmo? (não é mesmo.) até que depois de alguns meses nessa enrolação, nos vimos apaixonados. 

Eu perdi a minha virgindade apaixonada e era reciproco. ao contrario da maioria das pessoas. É legal agora parar para pensar nisso, a gente vê que a primeira relação não é de fato nada, mas ao mesmo tempo é, porque marca um transito. e uma boa experiência na passagem de um transito deve nos influenciar mais do que qualquer outra coisa ocasional.

Mas vamos, lá, estávamos apaixonados, quentes, ardentes, soltando faíscas em qualquer contato físico. costumávamos nos encontrar na universidade e lembro que em um desses dias tivemos a grande decisão. então fomos até a sua casa, na verdade era um pequeno quarto, próximo a uma kitnet, onde ele morava sozinho. parando pra pensar aqui, estava apaixonada, mas nem foi nada especial não. não mesmo. era uma tarde quente, fazia muito calor, acho que não tinha nenhum ventilador, corpos grudados, suando, prazer, dor, força, ai agora para, ok pode continuar., não não não, sim sim opa quer dizer não NÃO, ok foi, ok tá ok, mas nem tão ok, tá bom para, chega, é acho que é isso. da próxima vez deve melhorar, né? me diz vc que já tem mais experiência. a gente pode tentar amanha de novo. acho uma boa. e pronto. terrível só pela descrição, não é mesmo?

e assim fomos embora, ele foi me levar até o ponto de ônibus. Antes passamos no subway da fernando correa para comprar água. eu, canceriana fofa que sou, guardei o lacre de alumínio do copo, como uma lembrança daquele momento. devo ter isso guardado até hoje.

(agora aqui escrevendo percebo o meu ato falho, de - sem perceber - guardar um lacre logo depois de perder o meu.) 

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